O que fazer em 2 dias em Lübeck: história, marzipan e caminhadas sem pressa
O que fazer em 2 dias em Lübeck: história, marzipan e caminhadas sem pressa
Seguindo nossa road trip pelo norte da Alemanha, deixamos Bremen logo pela manhã e, em cerca de uma hora de estrada, chegamos a Lübeck, a próxima parada do roteiro. Eu já tinha boas expectativas, mas a cidade conseguiu me surpreender em vários momentos.
Logo na chegada veio a primeira surpresa: o hotel. Só depois percebi que havíamos reservado um cinco estrelas. Ficamos no Radisson Blu Senator Hotel, algo que normalmente não faz parte do nosso padrão de hospedagem, já que costumamos ficar em hotéis três estrelas. Mas como meu marido trabalha em um clube de viagens, usamos créditos de funcionário e completamos com dinheiro. Resultado: ficamos em um hotel cinco estrelas em baixa temporada pagando praticamente o valor de um três estrelas.
O hotel ficava muito próximo de um dos principais símbolos da cidade, o Holstentor, o que facilitou completamente nossos deslocamentos a pé.
Primeiro contato com Lübeck e o Holstentor
O Holstentor é o famoso portão medieval da cidade velha. Imponente, de tijolos vermelhos, ele já impressiona só por fora. Naquele primeiro dia, passamos por ele sem saber que funcionava como museu e sem imaginar a importância histórica que ele tem.
O Holstentor fazia parte das antigas fortificações de Lübeck e foi construído no século XV. Ele simbolizava o poder e a riqueza da cidade durante a época da Liga Hanseática, quando Lübeck era um dos centros comerciais mais importantes do norte da Europa. A estrutura defensiva era tão bem planejada que a cidade nunca foi invadida por aquele lado, o que reforça ainda mais o peso histórico do local.
Nesse primeiro momento, apenas observamos por fora e seguimos caminho. A visita interna ficou para o segundo dia.
Niederegger: marzipan, história e exageros felizes
Depois de atravessar o Holstentor, fomos direto para a loja-fábrica da Niederegger. Lübeck é conhecida mundialmente como a cidade do marzipan mais famoso do mundo, mesmo que o doce não tenha origem europeia.
Visitamos o museu do marzipan, conhecemos a história do Marzipan e da Niederegger e vimos de perto a tradição da produção desse doce. E, claro, provamos e compramos. Muitas variedades, muitos sabores e uma decisão nada racional: gastamos mais de 50 euros comprando dois bombons de cada sabor para experimentar, além de marzipans para presentear a família.
Pode parecer exagero, mas para a gente, comida também é passeio. E eu amo marzipan.
Almoço improvisado que virou destaque
Ao sair da Niederegger, percebemos que ainda não tínhamos almoçado e a fome já estava grande. Em frente fica a Marktplatz, a praça do mercado da cidade, onde também está o Rathaus de Lübeck.
Nossa ideia era comer algo no mercado, mas quando chegamos a maioria das barracas já tinha ido embora. Conseguimos apenas um espetinho de salsichão. Eu estava na Alemanha e queria comer comida alemã, então até fiquei feliz, mas aquele último espeto definitivamente não matou a fome.
Foi quando vimos, na lateral da praça, uma lanchonete linda, cheia, frequentada tanto por alemães quanto por imigrantes. Chamava-se Das Haus des Donners. O lugar tinha um enorme selo de certificação de qualidade no vidro, e os lanches eram gigantes, pelo mesmo preço do espetinho.
Parecia um churrasco grego no pão, mas com carne de ótima qualidade. Dava para escolher carne bovina, suína, frango ou misturar, além de saladas, molhos e vários acompanhamentos. Apesar de eu querer comida alemã, foi um dos melhores lanches da viagem. Eles também servem pizza e outras opções.
Depois disso, voltamos para o hotel para descansar e curtir um pouco mais aquela estrutura incrível, afinal, tínhamos pegado estrada naquele dia.
Segundo dia: descanso, museus e a cidade velha
Acordamos completamente descansados em uma cama king size, em um quarto enorme. O café da manhã foi algo fora do normal. Eu não via tanta variedade desde que ficamos em um resort cinco estrelas no México, em 2014.
Tinha ovos de todas as formas, croissants (foram praticamente os únicos pães que consegui comer na Alemanha, já que achei os pães do norte do país mais duros), vários tipos de pães, geleias, Nutella, frutas, opções quentes e até uma funcionária preparando crepes e waffles na hora. Eram duas salas grandes só de comida.
Depois do café, voltamos ao Holstentor e descobrimos que ali funcionava um museu. A entrada é paga, mas optamos por comprar o combo de museus da cidade, que compensava pelo pequeno acréscimo de valor. Assim, conhecemos melhor a história de Lübeck e sua importância comercial e defensiva.
Caminhada pela Lübecker Altstadt
Seguimos então para a Lübecker Altstadt, a cidade velha, localizada do outro lado do rio. Fizemos tudo com muita calma, caminhando, filmando para o meu canal do YouTube e apenas observando a arquitetura e o ritmo da cidade.
Passeamos a pé pela margem do canal, pelo calçadão da An der Obertrave, um dos trechos mais agradáveis da cidade. Passamos também pela Marienkirche, a Igreja de Santa Maria, uma das mais importantes do norte da Alemanha e referência da arquitetura gótica em tijolos.
Seguimos até a região do Mühlenteich e, para não “perder” o ingresso do combo de museus, entramos em um museu de arte faltando apenas 15 minutos para fechar. Entramos literalmente correndo, filmamos tudo no mesmo ritmo e saímos no limite do horário. Foi cansativo, um pouco caótico, mas acabou rendendo boas risadas depois.
Jantar perfeito para encerrar Lübeck
Já por volta das 19h, a fome voltou e resolvemos fazer o famoso “almojantar”. Abrimos o Google Maps, aplicamos os filtros de preço, avaliação e proximidade e escolhemos um lugar especializado em batatas assadas.
O restaurante se chamava Kartoffelspeicher. É como um baked potato, mas com um cardápio bem elaborado, ambiente charmoso e tudo muito caprichado. As combinações de recheio talvez não agradem todo mundo, mas há opções em que você monta o prato. Meu marido escolheu uma versão da casa e adorou. Eu escolhi a versão personalizada e saí muito satisfeita. Recomendo sem pensar duas vezes.
Voltamos para o hotel já de noite, porque no dia seguinte pegaríamos a estrada novamente, rumo a Schwerin. Mas isso fica para o próximo post.
Vale a pena passar dois dias em Lübeck?
Com certeza. Lübeck é linda, organizada, histórica e perfeita para explorar a pé. Mas se você correr bastante até consegue fazer a maioria dos passeios em um dia só. Dois dias foram ideais para conhecer a cidade com calma, conhecer pelo menos um museu, caminhar sem pressa e ainda viver experiências gastronômicas inesquecíveis. Lubeck tem outros museus também caso queira ficar mais de dois dias.
Se você está montando um roteiro pelo norte da Alemanha, Lübeck não pode ficar de fora. Para mim, foi uma das cidades mais charmosas da viagem.
